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TBT: Pokémon Crystal e o Celebi que nunca existiu

Pokémon Crystal é o meu favorito, mas nossa história é triste. Rio de Janeiro. 25 de dezembro de 2001. Esta não é uma história com final feliz. Um pequeno Pedro Scapin acordava no dia de Natal com o coração cheio de esperanças por presentes incríveis. Eis que fui recebido no mundo, desperto por meus pais, com um pequeno embrulho nas mãos e sorrisos enormes nos rostos. Ansioso, chutei as cobertas para longe e me sentei, já esticando os bracinhos sedentos por dilacerar a embalagem e descobrir o conteúdo. E eram conteúdos, no plural: um Game Boy Color edição especial de Gold e Silver e o recém lançado Pokémon Crystal. Este é o TBT, coluna semanal na qual lembrarei com carinho (ou não) de jogos, consoles e acessórios do passado, e como eles ajudaram a me tornar o gamer que sou hoje.

Pedro Scapin •
20/07/2023 às 19h00, atualizado há um ano

Pokémon Crystal é o meu favorito, mas nossa história é triste.

Rio de Janeiro. 25 de dezembro de 2001. Esta não é uma história com final feliz. Um pequeno Pedro Scapin acordava no dia de Natal com o coração cheio de esperanças por presentes incríveis. Eis que fui recebido no mundo, desperto por meus pais, com um pequeno embrulho nas mãos e sorrisos enormes nos rostos. Ansioso, chutei as cobertas para longe e me sentei, já esticando os bracinhos sedentos por dilacerar a embalagem e descobrir o conteúdo. E eram conteúdos, no plural: um Game Boy Color edição especial de Gold e Silver e o recém lançado Pokémon Crystal. Este é o TBT, coluna semanal na qual lembrarei com carinho (ou não) de jogos, consoles e acessórios do passado, e como eles ajudaram a me tornar o gamer que sou hoje.

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Tal qual o lendário amigo do “Nintendo Sixty Fooooour”, pulei de emoção e felicidade na cama, abraçando meus pais em agradecimento pelo presente. Com as mãos tremendo, terminei de abrir as embalagens, obviamente ignorando quaisquer tipos de manuais existentes, coloquei as pilhas Rayovac amarelas e o cartucho de Pokémon Crystal no portátil, deslizei o botão lateral para cima e fui saudado por aquele apitinho característico, enquanto as letras multicoloridas formavam o Game Boy em azul. Ainda vidrado, vi encantado a animação de coisinhas em formato de letras intercaladas com cenas de uma criatura sombria e veloz correndo por um gramado.

Game Boy Color Pokémon

Minha primeira interação com Pokémon havia sido com uma fita, digamos, paralela, na casa de um amigo, que não salvava o progresso, então a gente jogava só até onde as pilhas aguentavam. Com meu presente de Natal, finalmente tive a oportunidade de ir até o final. Mas foi um caminho bem extenso até lá. Dias e noites jogando sem parar. Explorando cada centímetro de Johto, sem qualquer auxílio de guias ou detonados, sequer sabia da existência deste tipo de material naquela época. Comecei minha jornada no clássico dilema sobre qual inicial escolher. Após muita consideração, fui de Totodile.

Saí de New Bark Town com um Pokémon no bolso e um sonho no coração: eu queria ser o melhor, como ninguém havia sido. Não me lembro de ter jogado mais nada pelos próximos meses. Estava de férias, então meu único compromisso era com Crystal. Fui progredindo na história, meu time evoluindo, PokéDex crescendo, e finalmente encarei o que imaginava ser o maior desafio da minha vida, a Elite Four. No fim das contas, meus treinamentos foram tão exagerados, que cheguei nas batalhas sempre com alguns níveis de vantagem em relação aos Pokémon dos adversários, então a conquista final não teve aquele gostinho de recompensa.

O sentimento agridoce logo foi descartado quando descobri que era possível ir para outro continente, e, ainda que meu time seguiu sendo muito superior aos dos novos líderes de ginásio, pude enfim explorar Kanto sem perder meu progresso, como acontecia na Pokémon Blue de procedência duvidosa do meu amigo. Posteriormente até consegui uma fita do Yellow, mas é história para outro dia.

Pokémon Crystal Red

Avançando um pouco no tempo, fiz quase tudo que era possível fazer em Pokémon Crystal. Já tinha meu time totalmente no nível 100, conquistei todas as 16 insígnias, venci a Elite Four de olhos fechados e sem levar dano, duelei contra o lendário Red no topo do Mount Silver, capturei 250 Pokémon e quase completei a PokéDex. Quase porque falta apenas um. A entrada 251 seguia desconhecida, com sinais de interrogação e um mistério que não sabia como resolver. Qual era aquela criatura e onde eu poderia capturá-la? Não era possível, nenhum ponto dos mapas de Johto e Kanto eram inexplorados para mim. O que eu tinha deixado passar?

Como eu falei, não tinha guias ou detonados, e muito menos internet naquela época. Meus amigos jogavam outras coisas, e os que tinham Pokémon, não eram tão aficionados quanto eu. Entrei em um vórtice de desespero e impotência. Não aceitava o fato de simplesmente existir um Pokémon que eu não tinha na Dex. Sequer sabia o nome. Em negação, guardei o Game Boy no armário e fingi que Crystal não existia.

Alguns anos depois, na escola, voltei a jogar Game Boy com alguns amigos, mas nunca mais toquei naquele cartucho azulado. Até que, um belo dia, um burburinho ganhou o pátio, um rumor de que um aluno de uma série acima da minha possuía um acessório que permitia a captura de qualquer Pokémon, em qualquer nível, e até mesmo shiny. Lutando contra uma esperança adormecida, observei de longe enquanto o tal menino mostrava um equipamento muito parecido com uma fita de Game Boy, só que mais robusto, chamado GameShark. Depois que o bolinho de crianças se desfez, me aproximei e perguntei se era verdade o que diziam, se ele realmente era capaz de me conseguir qualquer Pokémon. Com um ar arrogante, ele disse que sim, e me perguntou qual eu queria. Respondi: “Só falta o 251 para mim”. “Ah, você tá falando do Celebi. Traz teu Game Boy amanhã que eu passo ele pra você”, disse o menino enquanto se afastava.

Pokémon Celebi

O alarme do recreio tocou, mas só ouvia uma palavra na minha cabeça: “Celebi”. Aquele nome martelava meu crânio, e passei o restante das aulas sem conseguir prestar atenção em nada, meus pensamentos estavam aprisionados, imaginando como seria este Pokémon misterioso. Ao fim das aulas, voltei para casa correndo, abri o armário e peguei a fita de Crystal. Mas, como falei no início, esta não é uma história com final feliz.

Por algum motivo macabro, o menu inicial mostrava apenas duas opções. “New Game” e “Options”. Não havia mais um “Continue”. Completamente gelado, um horror lovecraftiano tomando conta de mim, removi a fita, soprei nos contatos e a recoloquei no portátil. O mesmo resultado. Meu save havia sumido. Todas as centenas de horas, no lixo.

Não procurei o menino do GameShark no dia seguinte. Até passei por ele em algumas situações posteriores, mas nunca o olhei nos olhos novamente. Não sei o que houve com minha fita de Pokémon Crystal, mas tenho para mim que o culpado foi aquele garoto. Arceus não permitiu que eu encerrasse uma história tão linda com um subterfúgio.

Recentemente, soube que poderia ser um problema na bateria do cartucho, que era só trocar por uma nova que eu poderia voltar a salvar meu progresso. Mas nunca mais voltarei a ver meu Feraligatr de nível 100. E com certeza jamais capturarei Celebi em Pokémon Crystal.


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