TCG

One Piece, Lorcana, Digimon e mais: agora existem card games de tudo?

Com um mercado que não para de crescer, surgem novos card games dispostos a conquistar seu lugar no coração (e bolsos) dos fãs

Card Games Lorcana, One Piece e Digimon

Imagens: Ravensburger / Shuesha / Bandai Card Games

Com a ascensão graças ao Magic: The Gathering em 1993, os Trading Card Games (jogos de cartas colecionáveis, abreviados como TCGs) seguem firmes como uma divertida (e lucrativa) opção de entretenimento e investimento para milhões de jogadores.

Nos últimos anos, ocorreu um crescimento acentuado na diversidade destes jogos, com novos títulos baseados em diversas franquias amadas, como One Piece e Lorcana.

Não que isto não existissem anteriormente, mas nos anos 1990 e nas primeiras duas décadas deste século, era bastante difícil um TCG licenciado se firmar em definitivo.

Tivemos vários, como Spellfire (baseado em Dungeons & Dragons), .Hack Enemy (baseado no anime de mesmo nome), e Harry Potter TCG (precisamos nem falar desse, né?). Enfim, foram dezenas que não duraram muito.

Entretanto, vimos uma inversão recentemente. Agora, títulos antes inimagináveis como duradouros fora da trinca sagrada dos TCGs Magic / Pokémon / Yu-Gi-Oh conseguiram seu lugar ao Sol, explorando novas fanbases e se consolidando como jogos de sucesso, seja como formas de diversão ou investimento.

A Game Arena conversou com diversos jogadores e lojistas sobre a popularidade dos Card Games baseados em animes e outras séries fora da “trinca sagrada” que se mantém fortes no atual cenário, com foco específico no Brasil.

Falaremos sobre os card games derivados de séries famosas como One Piece, Digimon e Lorcana, tentando explicar o sucesso deles. Vamos analisar, através dos nossos entrevistados, o porquê de animes ou séries de sucesso muitas vezes resultam em jogos de cartas de grande êxito.

Disney Lorcana Card Game
Imagem / Fonte: Disney Lorcana

Vamos falar de alguns card games derivados

Vamos começar por One Piece Card Game. O TCG baseado na popular série de mangá e anime criada por Eiichiro Oda, foi lançado em julho de 2022 no Japão e dezembro do mesmo ano na Inglaterra, sendo difundido pelo mundo em seguida.

O jogo foi um sucesso avassalador, conquistando rapidamente uma legião de fãs por todo o mundo. De responsabilidade da Bandai Namco Cards, o TCG foi gradativamente evoluindo, ganhando novas artes especiais e recebendo melhorias gráficas incríveis.

Com isso, o One Piece Card Game se tornou um dos mais vendidos do mundo, perdendo geralmente apenas para a trinca Magic / Pokémon / Yu-Gi-Oh. 

Já Lorcana é o novo e promissor TCG lançado pela Disney em parceria com a Ravensburger, incorporando personagens e cenários do vasto universo mágico criado por Walt Disney. Mesmo em seus estágios iniciais, o game gerou grande entusiasmo e antecipação entre os fãs.

Lorcana se destaca, de acordo com os fãs, pelo visual encantador das cartas e por oferecer uma experiência de jogo que mistura nostalgia com inovação. Os jogadores podem colecionar e batalhar com cards que apresentam personagens icônicos e cenários das animações Disney, tornando o jogo atraente para todas as idades.

O sucesso dos card games derivados

Com a base de fãs já estabelecida estabelecida, tanto “One Piece” quanto “Lorcana” e outros se beneficiam da familiaridade e do amor pelas obras originais, tornando os jogos de cartas instantaneamente atraentes para uma vasta audiência.

Os motivos são vários. Existem aqueles que defendem que a qualidade das artes tornam os jogos atrativos, como One Piece Card Game que agora traz artes deslumbrantes não apenas do criador Oda, mas também de diversos artistas convidados.

Outros acreditam que a jogabilidade é o fator predominante para o sucesso, mesclando elementos das séries originais de sucesso com mecânicas novas e envolventes.

É o caso do jogador Matheus Ferreira, que expõe sua escolha por investir em One Piece Card Game devido a sua mecânica diferenciada dos capitães:

“Em One Piece, temos cartas especiais chamadas capitães, onde você monta seu deck com cartas de combatentes e habilidades com base na sua carta de capitão. Com isso, podemos escolher um personagem favorito específico, sempre atentando ao meta do jogo, que permite várias possibilidades de decks. Uma diversidade divertida e muito atraente.”

Vamos falar de crescimento

Lorcana Card Game
Imagem / Fonte: Ravensburger

Os investimentos de empresas diversas como Disney e Bandai (que inclusive criou uma divisão focada apenas em Card Games) não existem à toa. Durante o período da pandemia, os lucros gerados por jogos de cartas diversos subiram 25% em relação a 2019.

Segundo dados do Instituto Zion Market Research, o mercado mundial de card games movimentou US$ 6,4 bilhões (R$ 31 bilhões) em 2022 e pode ultrapassar a marca de US$ 11 bilhões até 2030.

Já a própria Bandai Namco revelou que o setor de card games foi responsável por mais de 25% do faturamento no setor descrito como “Toys & Hobby” em 2023, que corresponde a itens não ligados a jogos eletrônicos. 

Um aumento de cerca de 10% em relação ao ano passado e um crescimento atribuído aos jogos da divisão Bandai Card Game, tais como One Piece, Digimon e Dragon Ball Super. A estimativa é que o setor da companhia cresça ainda mais até 2025.

É difícil encontrar os card games baseados em animes no Brasil?

One Piece Card Game
Imagem / Fonte: Bandai Namco Card Game

Para escrever esta matéria, entrevistamos diversos jogadores de card games e lojistas ligados aos jogos da Bandai, incluindo Digimon e One Piece.

Apesar de muitos falarem sobre Lorcana, a maioria dos entrevistados conhece o game e adoram as artes do jogo. Porém, muitos acreditam que o TCG em questão ainda não possui um espaço no Brasil, devido à dificuldade de importação dos produtos ligados ao jogo. É o que explica Diego Santana, lojista que trabalha em especial com Pokémon TCG, mas começou investimentos com One Piece e Digimon

“Enquanto Lorcana não se organiza com um ciclo normal de lançamentos e distribuição em seu país de origem (Estados Unidos), fica muito difícil estabelecer uma base de jogadores por aqui. Eu até tentei importar algumas unidades de decks e boosters de cartas, mas existe muita burocracia, impostos e um interesse maior por parte dos jogadores para trazer tais produtos para cá.

Pelo menos, por ora, tanto Digimon quanto One Piece possuem uma base estável de fãs e jogadores que se interessem pelos produtos. E o melhor é que temos uma distribuidora nacional, mesmo com os produtos em inglês.

Claro que os investimentos estão bem longe do ideal para justificar gastos maiores. Mas seria interessante que existisse uma localização dos games, pois a língua é um entrave enorme para jogadores novatos.

One Piece é recente, mas já ultrapassou jogos mais antigos como Digimon e Dragon Ball em popularidade — pelo menos na minha loja, que carece um pouco dos produtos ligados à Bandai Namco devido à alta procura dos revendedores e a baixa quantidade fornecida pelo distribuidor local.”

Cartas One Piece
Imagem / Fonte: Dicebreiker

Já para o jogador Luciano Santos, jogos como One Piece podem crescer ainda mais no Brasil com o apoio das suas “respectivas fanbases”.

“Já joguei Yu-Gi-Oh e acredito sim que One Piece pode chegar nos grandes porque além de ter uma fanbase de um anime mundialmente conhecido, o jogo é bom de jogar. Tanto que conheço gente que não assiste o anime e começou a jogar [o card game].

Existe potencial de crescimento no Brasil, mas o que falta é a divulgação mesmo. Os preços deram uma melhorada de uns tempos pra cá e a Bandai já deixou claro para os jogadores que o erro nisso foi dela por conta da baixa distribuição.

Com isso, a Bandai está priorizando a reimpressão de coleções mais antigas e enviando para regiões que não as receberam em seu lançamento, como o Brasil. O ideal é que o game fosse lançado em português, mas pelo menos existe uma alternativa para os jogadores e fãs brasileiros.”

Uma opinião semelhante foi apontada por outros entrevistados, além de lojistas, que justificam que o grande problema dos card games fora da trinca Yu-Gi-Oh / Magic / Pokémon é justamente a língua.

Existe cenário competitivo no Brasil desses jogos?

A resposta para esta pergunta é um sim, porém bem reduzido. Entre as diversas reclamações dos jogadores está a falta de um público mais ativo em diversas regiões. Os grandes centros (Rio de Janeiro e São Paulo) concentram grande quantidade dos jogadores nacionais, mas existem pequenos centros de interesse em outros estados.

É o que aponta Hendri Colombo, jogador de Pokémon e One Piece, ao falar sobre o potencial de crescimento de One Piece no Brasil.

“Existe um potencial imenso de grandeza. Porém, em países como o nosso, tudo torna-se mais difícil. As altas taxas de importação diretamente afetam o preço do produto e acabam por ventura afastando grande parte da comunidade. 

Não que um TCG não demanda gastos elevados, mas quando não existe o produto oficialmente em nosso Brasilzão, a pessoa busca gastar com o jogo disponível oficialmente com valores menores. Não vale tanto esforço para manter um card game como One Piece, se você gastar mais dinheiro e tempo do que com outros card games.”

Print site Bandai Card Games
Mais de 200 eventos de One Piece TCG acontecerão nos próximos dias

Já o lojista Érico Filipe explica que agora as coisas estão começando a caminhar para One Piece e Digimon, porém com um certo outro TCG:

“Esqueça Lorcana TCG. É muito difícil comprar, os preços são elevados e a demanda ainda é baixa pra justificar tantos gastos com produtos Disney deste tipo, quando crianças e adultos preferem outros itens mais em conta como miniaturas, vestimentas e outros colecionáveis.Já One Piece e Digimon são jogos que trago para minha loja porque tenho clientes de outros card games que pediram por tais produtos. Trago uma caixa de booster aqui, alguns decks temáticos ali… Busco atender ao meu público local. A Bandai está facilitando o cadastro para campeonatos e eventos oficiais, mas existe o entrave da língua, o que dificulta tudo.Tenho jogadores que utilizam o Google para traduzir as cartas durante as partidas de One Piece. Enquanto a Bandai não investir com força no Brasil ou buscar um parceiro comercial como a Copag (fabricante dos jogos de cartas de Pokémon no Brasil), os jogadores dos card games de anime continuarão com partidas de fundo de quintal com, no máximo, 12 participantes por torneio.”

De fato, o site da Bandai Card Game disponibiliza nomes de lojas e calendários de eventos no Brasil, algo implantado recentemente. Apesar da limitação do idioma, é fácil localizar um torneio de One Piece ou Digimon em diversos estados do Brasil, com uma forte concentração na Região Sudeste.

Leia mais

Já existem vários TCGs e a tendência é aumentar ainda mais

Banner do Torneio Global de jogos da Bandai Card Games
Imagem: Bandai Card Games Fest

Os jogos de cartas colecionáveis mudaram e se diversificaram muito ao longo dos anos, com novas versões como “One Piece Card Game”, “Digimon” e “Lorcana” (que ainda está engatinhando) se tornando muito populares.

Bases de fãs estabelecidas, obras de alta qualidade, jogabilidade emocionante e amor pelas obras originais são alguns dos vários fatores que contribuíram para esse crescimento. Também não podemos negar o potencial interesse gerado pela trinca sagrada Magic / Pokémon / Yu-gi-Oh, ao fornecer acessibilidade, complexidade e um forte senso de comunidade que se estendeu para os novos TCGs.

É fato que os animes de sucesso podem produzir bons card games. E as empresas sabem disso. Tanto que, em breve, a Bandai Namco lançará globalmente Union Arena, um novo card game que é sucesso no Japão e reúne personagens de vários animes como Jujutsu Kaizen, Hunter x Hunter e Bleach.

Por hora, os brasileiros podem torcer para que a Bandai Namco e outras empresas se interessem mais pelo mercado brasileiro e busquem parcerias maiores para a distribuição dos produtos no país. A esperança é a última que morre… E os jogadores estão ansiosos para comprar e jogar, desde que tenham acesso facilitado.

* Com informações de Bandai Card Games, Wargamer, CNDL, Copag e Liga One Piece.


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