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Vida e obra menino do cemitério
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A Vida e Obra do menino do cemitério de Ocarina of Time

A emocionante trajetória do garotinho que brinca nos túmulos de Kakariko em Ocarina of Time Arthur Schopenhauer, pensador alemão do século XIX, afirmou em sua obra que "a morte é a musa da Filosofia". Há uma linha de pensamento que defende que a finitude da existência é o maior, se não o único problema filosófico de fato. A compreensão de que estamos aqui apenas de passagem guiaria, então, praticamente todas as nossas ações, angústias e desejos.

Marcellus Vinicius •
27/07/2023 às 23h00, atualizado há um ano

A emocionante trajetória do garotinho que brinca nos túmulos de Kakariko em Ocarina of Time

Arthur Schopenhauer, pensador alemão do século XIX, afirmou em sua obra que “a morte é a musa da Filosofia”. Há uma linha de pensamento que defende que a finitude da existência é o maior, se não o único problema filosófico de fato. A compreensão de que estamos aqui apenas de passagem guiaria, então, praticamente todas as nossas ações, angústias e desejos.

Não parece ser coincidência que a morte se apresente também como o maior problema dentro do sistema da esmagadora maioria dos jogos eletrônicos. A tela de Game Over costuma indicar que o avatar controlado dentro do jogo pereceu, literal ou figurativamente. Nossa maior questão refletida dentro do universo lúdico. O jogo surge como oportunidade de desafiar, e talvez vencer, a finitude. Assim como um grupo de pessoas embriagadas às 5 da manhã em uma festa do Big Brother Brasil, nos declaramos inimigos do fim.

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Mas, e se em vez de rivalizar com o fim, fizéssemos as pazes com esta que é a única certeza da vida? O protagonista do texto de hoje é um garotinho que, já muito novo, ficou fascinado com as facetas mais macabras e assustadoras da existência, fazendo da casa dos mortos seu parque de diversões.

Hoje vamos falar do garotinho que brinca no cemitério de The Legend of Zelda: Ocarina of Time.

Quem é ele

Este garotinho não nomeado pode ser encontrado no cemitério de Kakariko Village durante a jornada do Link criança em Ocarina of Time, antes do salto temporal de sete anos.  Ele fica brincando ao redor dos túmulos na parte do dia, sempre com uma vareta na mão – guarde essa informação – imitando os passos e movimentos de Dampé, o coveiro da vila que é também o maior ídolo do menino.

O garoto faz parte da famigerada quest da troca de máscaras do jogo, onde o Link procura em Hyrule pessoas interessadas em máscaras temáticas especiais da loja da cidade em frente ao castelo. A máscara deseja pela criança aventureira é a Spooky Mask, ou Máscara Assustadora, em tradução literal). Uma peça capaz de transformar qualquer pessoa em uma figura horripilante, o que demonstra mais uma vez o fascínio do menino por tudo aquilo que é macabro.

Com a máscara, o menino realizar o sonho infantil de ser tão assustador quanto o coveiro Dampé, revelando com isso um certo desconforto em ser tão fofo e adorável.

E isso aparentemente conclui a participação do menino, considerando que ele não pode ser encontrado em parte alguma sete anos depois. Ou será que pode?

Uma breve biografia

Poucas informações podem ser encontradas no jogo sobre este menino, e nenhuma busca pela família dele Hyrule afora se provou satisfatória. No entanto, parece seguro afirmar que ele é nascido e criado em Kakariko, considerando sua pouca idade e a naturalidade com que brinca em liberdade nos espaços da vila.

Dampé

O coveiro Dampé, apesar de assustador, é uma figura prestativa e bondosa, e acredita-se que ele acabou desempenhando o papel não apenas de ídolo, mas também de figura paterna do garoto. Dampé serve de inspiração aos sonhos infantis do menino, que busca exercer a notável aptidão para lidar com temas normalmente evitados pela pessoa, como morte, corpos sem vida e aparições de fantasmas.

O maior mistério porém, está no paradeiro do garoto após o salto temporal do jogo. Vários personagens podem ser encontrados sete anos depois, e algumas crianças aparecem já crescidas, como é o caso da Malon de Lon Lon Rach. Ninguém mais está cuidando do cemitério, após o falecimento de Dampé – é do fantasma dele que recebemos o Hookshot.

Qual terá sido o destino do garoto do cemitério?

O legado

Os jogos da Nintendo costumam esconder, por trás dos personagens infantis e mundos coloridos, alguns temas e histórias bem mais profundas, e às vezes até sombrias, do que poderíamos desconfiar a princípio. Basta pesquisar com calma os detalhes do folclore por trás de Kirby ou de Pikmin.

Poucos personagens simbolizam tão bem essa essência quanto o garotinho fanático por túmulos em Ocarina of Time. Uma criança que, ainda na tenra idade, contemplou o abismo da finitude da existência sem desviar o olhar. O abismo olhou de volta, taciturno e desesperador. O menino, então, sorriu.

O que fica apenas é a questão: onde está esse garoto sete anos depois? Existem algumas teorias espalhadas pela internet, nenhuma realmente conclusiva. Mas quero deixar aqui uma hipótese que considero ser bem pertinente. Lembram da vareta que o menino sempre carrega na mão direita? Eu comentei que isso seria importante, certo? Pois então, reparem bem no mercador de fantasmas que negocia almas nas ruínas da cidade de Hyrule:

Coincidência? Talvez. Mas quando o abismo nos encara de volta, descobrimos que o acaso talvez seja apenas uma ilusão. Se a morte é a musa da Filosofia, como disse Schopenhauer, o garotinho do cemitério é o maior filósofo de Hyrule.


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