Representatividade

LoL: Minerva fala sobre criação do Gayssip, representatividade e início da carreira

Antes de ser influenciador, jogou profissionalmente nas maiores equipes do cenário

LoL: Minerva fala sobre criação do Gayssip, representatividade e início da carreira

Foto: reprodução/Ilha das Lendas

 

Para quem é peça antiga na comunidade de League of Legends (LoL), a presença de Minerva pode gerar lembranças de quando o competitivo era mato. Atualmente, trabalhando como influenciador, a figura se destaca entre uma das mais queridas da comunidade.

Com isso em mente, a redação da Game Arena fez uma entrevista exclusiva com o ex jogador profissional para entender mais sobre o processo de deixar a carreira de pro player para se tornar streamer, a criação do Gayssip da Semana na Ilha das Lendas (IDL) e representatividade queer no cenário brasileiro.

 

Quando tudo era mato

Foto: reprodução/Riot Games

 

Segundo Minerva, na realidade, tudo começou em meados de 2013 como uma fuga. O computador, para ele, era um lugar de acolhimento e conforto que acabou literalmente se tornando a sua casa.

“Eu acho que quando eu comecei o League of Legends, para mim, como o computador no geral, eu via muito mais como uma fuga do que algo em que eu possa me profissionalizar ou ter como carreiras sequer”

 

“Porque [na época] não tinha o termo esport, não era profissional. Não existia eu cyber atleta que era como era chamado League of Legends”

 

“[O] computador para mim era só uma fuga […] uma uma fuga do mundo real; o que eu tinha dentro do LoL, eu não tinha na vida real. Eu gostava muito e fui desenvolvendo cada vez mais isso, mas sem pretensão alguma, só deixando a vida me levar”, conta.

 

Com passagens pela paiN Gaming, KaBuM! Esports, CNB e-Sports Club, ProGaming Esports, FURIA e até Keyd Stars, foi campeão três vezes em menos de dez anos de carreira em que jogou como atirador, mas a maior parte como caçador:

  • CBLOL 2014 (Campeonato Brasileiro de League of Legends);
  • Circuito Desafiante 2019;
  • Superliga ABCDE 2019 — extinto off season do país.

 

Saindo do armário com a torcida

Foto: reprodução/Riot Games

 

Demorou um pouco para que personalidades começassem a se assumir e saírem do armário. Na época, não era algo bem aceito pela comunidade. Inclusive, Minerva contou que os pais descobriram que era gay por conta da torcida do CBLOL.

“No meu caso é um pouquinho mais profundo e delicado porque a primeira vez em que meus pais souberam que eu era gay, não foi bem por mim.”

 

“Foi em 2014, quando eu tava na final do Maracanãzinho e eu vendo não é a torcida acaba gritando ‘Minerva viado, Minerva viado’ e eu não era assumido para os meus pais nessa época.”

 

“Eu não acho que eles tenham feito por mal, eu acho que era muito aquela brincadeira que tinha que era muito normalizada antes, mas que hoje em dia […], as pessoas não fariam tendo em mente que é uma pessoa não assumida”, explica.

 

Foto: divulgação/Ilha das Lendas

 

O influenciador da Ilha da Lendas também fez um paralelo de como as coisas eram para o público queer há cerca de 10 anos atrás e como o comportamento atualmente tem mudado para melhor aos poucos.

“Em termos de cenário em relação ao que era, como está hoje, eu acho que tá uma parada muito melhor. Eu acho que a gente evoluiu  — não acho que esteja ideal ainda.”

 

“Eu acho que ainda tem um pouquinho de preconceito ali, ainda tem um pouquinho de intolerância, um pouquinho que é um poucão na verdade, mas em comparação que era antes… […] hoje tá bem melhor”, avalia.

 

Foto: reprodução/Acervo pessoal

 

Ainda de acordo com o também streamer, “até tinham os espaços” para a comunidade queer no começo do cenário, mas “a conversa não era tão viabilizada”.

Talvez o assunto não era tão bacana. Enfim… faltava também um preparo nas pessoas na forma de falar sobre isso. Até mesmo eu, né?”

 

“Na verdade, acho que a gente evolui muito com o passar do tempo e o preparo vem junto com essa evolução”, disserta.

Falando em evolução, talvez seja a primeira vez que o público queer tenha um lugar para realmente se sentir incluído com as iniciativas de Minerva, sendo o Gayssip da Semana — programa semanal contando todas as fofocas do cenário — a principal delas.

 

Coerência no Gayssip da Semana

 

Mas… afinal, como surgiu a ideia do programa? Segundo o criador de conteúdo, cada membro da IDL é responsável por algum programa ou por alguma liga dentro do projeto, sendo algo que faça sentido com a personalidade. A ideia veio da própria mente de Minerva.

“Quando foi para mim [criar e cuidar de um programa], eu propus essa ideia para a produção de cara: ‘Olha, eu tô reagindo a tudo, eu sei de todas as fofocas.”

“Eu sei tudo e se eu tivesse um programa de fofoca, hein? […] Sexta-feira à noite para edificar a casa de todo mundo?'”

“Eu acho que é uma coisa bacana e… porra, poderia pegar a fofoca do meio internacional; não precisava ficar só aqui. E daí a gente foi matando, a gente foi desenvolvendo essa ideia para ser o que é hoje”, conta.

 

 

Minerva contou para a redação da Game Arena que vê o Gayssip da Semana como um programa para a própria comunidade de League of Legends em si, mas sem deixar de incluir o público queer.

“Falando um pouquinho sobre os membros e tudo mais… uma coisa bacana,  que você comentou sobre ser um programa para comunidade queer, LGBT e tudo mais.”

 

“[…]Eu gosto de pensar que é um programa para comunidade, não só para comunidade LGBT, porque quando a gente fala sobre inclusão, muita gente e muitas interpretações acabam excluindo dentro de uma inclusão.”

 

“A inclusão, eu gosto de pensar, que ela é para todo mundo. A pessoa vai entrar ali no Gayssip e ela já vai ser ‘educada’ a ponto de: ‘Nossa é um programa que tem Gayssip pelo nome, eu não quero entrar'”

 

“Os membros da minha comunidade, da comunidade do Ilha como um todo, eles não são intolerantes. Pelo contrário: eles são adeptos, eles também gostam da causa e tudo mais.”

 

“E é um programa pra comunidade, como um todo. Você pode ir lá, todo mundo que gosta de fofoca, que acompanha o cenário de League of Legends, pode ir e, claro, bem humorado…. porque eu sou uma pessoa bem bem humorada”, diz.

 

Produção colorida

Apesar de não ter muitas figuras LGBTQQICAAPF2K+ nas telas, o influenciador revelou para a Game Arena que a produção é totalmente composta por pessoas queer.

 

“Eu gosto de brincar bastante, a pessoa tem que entender que eu tenho ali alguns grauzinhos de maluquice. Falando sobre as pessoas que compõem o Gayssip. Tem eu, que sou gay e tem o Revolta, que ele é hétero.”

 

“Quando a gente vai foi escolher a gente foi mais pela competência que a pessoa teria, não necessariamente para levantar pautas, porque o se eu acabasse chamando alguém para entrar no programa que fosse LGBT também e ele não conseguiria agregar tanto ao programa, ia ficar uma coisa complicada”

 

“Principalmente sendo a primeira vez ali. Eu chamei revolta porque ele também é tão fofoqueiro quanto eu. Pode não parecer, mas ele tem a gay energy; ele gosta de fofoca, ele faz….quebra mãozinha: ai, amiga conta.”

 

“Eu gosto bastante dele e isso são as pessoas do Gayssip que aparecem na tela, mas a nossa produção é totalmente colorida e conta com todos os diversos tipos de pessoas e extraterrestres possíveis; eu acredito que tem algum alguns extras terrestres ali. (risos)”

 

“É tudo bem diverso, só que o que aparece na tela — eu e Revolta mesmo, mas como dito antes, eu precisava prezar por chamar alguma pessoa que realmente fizesse sentido ali e pudesse agregar e me ajudar como companheiro de trabalho”pontua.

Durante o papo, chegamos em um ponto sobre como está sendo trabalhar na Ilha das Lendas e como a comunidade tem lidado com o programa e a irreverência única do influenciador, que disse que tem sido uma aventura “gratificante” poder fazer parte da evolução do cenário e agora ser referência para mais pessoas.

 

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Minerva e sua própria representatividade

Foto: reprodução/Acervo pessoal

 

“Eu acho tudo isso muito bacana falando um pouquinho sobre mim, eu acho que dentro da comunidade LGBT e até mesmo de pessoas de fora para dentro, as pessoas esperam muito determinados estereótipos no gay.”

“Espera mais ser aquela pessoa escandalosa, viciada em diva pop ou alguma coisa assim e, eu tenho muito meu jeitão. Eu tenho ali o meu jeito específico, porque cada pessoa é cada pessoa; cada um tem o seu.

“É um indivíduo, tem particularidades, peculiaridads e eu fico muito contente de estar conquistando tudo isso, tendo a minha representatividade.”

“Porque existem outras pessoas assim, como eu, que devem olhar para mim e falar: ‘Puxa, eu sou igual aquele cara”. Poucas talvez porque eu sou bem maluco (risos), mas deve ter essas pessoas ainda e é muito gratificante estar levantando essa bandeira para todo mundo de casa”

“Porque muita parte da minha comunidade, ela não é LGBT. Então, a cada momento que eu tenho ali, que eu tenho uma deixa… eu não sou aquela pessoa que tenta fazer o público engolir guela abaixo…”

“Mas cada deixa, cada momento específico delicado e sensível, eu passo uma visão diferente. Porque quando você é hétero, você não entende a realidade da outra pessoa por mais que você saiba das dificuldades e, às vezes, mesmo sabendo dessas dificuldades, você não entende elas por completo”

“Muitas das vezes eu tento ali trazer o tema e explicar como funciona, como que é a vida dessas pessoas, as barreiras que elas passam desde cedo.”

“É muito gratificante. Eu fico contente com essa responsabilidade e espero que eu esteja fazendo bom uso. Espero que esteja mandando bem com tudo isso”, conta.


Se você gostou deste conteúdo em texto, veja também nossos vídeos. Neste aqui, entrevistamos a Anyzatiza, da Riot Games. A primeira mulher a narrar uma partida de League of Legends oficial no Brasil, confira:

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