A W7M Esports, uma das principais organizações de esports do Brasil, tem expandido sua atuação no cenário. Em um curto espaço de tempo, os Bulls marcaram presença no competitivo de LoL (League of Legends) e ainda voltaram ao Rainbow Six: Siege (R6), onde se consagraram.
Falando sobre a organização, entradas em novos cenários e investimentos, a Game Arena entrevistou o head da w7m, Eudinho, que comentou sobre tudo isso, o futuro estratégico da W7M nos esports e mais.
O início de tudo
Atualmente, quem acompanha os esportes eletrônicos sabe o nome que a W7M carrega nos mais diversos cenário competitivos, porém… como tudo isso surgiu?
“A W7M surgiu pelo fanatismo do Felipe Funari, CEO da Holding W7M e também da W7M Esports. Ele já amava o Counter-Strike e trabalhava com publicidade. Em 2016, ele estava vendendo publicidade na BGS e viu o tamanho dos esports na Brasil Game Show Cup e tudo mais. Ver os jogadores competindo por lá o fez refletir.”
“E ele obviamente é um cara de negócios, um visionário para negócios. Ele juntou o que gostava com a oportunidade de, talvez, impulsionar o seu negócio. E lá [na BGS] ele decidiu: “Vamos abrir a W7M Esports”. A primeira versão da organização era formada por ele e seus amigos”, contou Eudinho.
Edinho também relatou que a organização já tinha logo, camisa e toda estrutura necessária para realmente ser um time: “E o Felipe, como sempre, agressivo no mercado, comprou todos os jogadores do time que venceu a BGS 2016, que era aquela BootKamp. Essa foi a primeira line-up, que tinha o RAAFA, Peu, essa galera.”
O Fortnite estava crescendo muito no competitivo e acabou e sendo a segunda line-up da W7M, ali entre 2017 e 2019, tempo que foi o maior boom da organização, visto que, dois jogadores profissionais garantiram classificação para a Copa do Mundo da modalidade: ” No entanto, nem chegamos a jogar, pois vendemos os jogadores para a Cloud9.”
Até então, a W7M era uma organização pequena, mas com grande investimento por parte do criador do time e na pandemia, quase chegou a fechar. Porém, em dezembro de 2020, Edinho chegou ao grupo de funcionários — como manager de CS masculino e sedo promovido ao final do ano como general manager da W7m, ajudando a empresa a voltar a se expandir no mercado.

Desafios de crescer
A W7m teve um ano importante em 2022, visto que garantiu o o patrocínio do Banco do Brasil, que foi responsável por mudar a trajetória da organização dentro dos esports.
“Além disso, em 2021, fomos campeões da LBFF Série B. Vendemos a vaga, o que gerou uma grande polêmica, mas foi um dinheiro essencial para investir na w7m e fazê-la rodar sozinha pela primeira vez”, lembra Edinho.
Tudo dentro dos Bulls foi um processo. Cada passo foi pensado e Eudinho acompanhou praticamente tudo bem de pertinho, mantendo os acertos e aprendendo com os erros para manejar e começar a acertar.
“Desde 2022 estou à frente da organização. Já fui general manager, head de esports e, hoje, sou diretor profissional da organização. Hoje cuido dos quatro pilares principais: esports, conteúdo e marketing, comercial e operações. Estou à frente da W7M junto com toda a equipe que temos. Tentamos nos livrar da imagem de sermos apenas uma organização de Rainbow Six e nos consolidarmos como uma organização de esports completa.”
“Já passamos por diversas modalidades e, apesar de termos entrado e saído do VALORANT, Rocket League, PUBG e Clash Royale, há dois anos entendemos que o foco deveria ser na qualidade e não na quantidade de modalidades. Hoje [2025], temos apenas cinco modalidades, mas sempre buscando o mais alto nível nelas”, explica.”
A entrada da W7M na LTA, por exemplo, foi um movimento planejado e um desejo antigo da organização. Segundo Eudinho, a empresa tem como objetivo fortalecer a presença no competitivo cada vez mais e criar uma base sólida para o futuro.
“A gente tem um trabalho muito grande de desenvolvimento de elenco, de base, de staff, de conhecimento do jogo, e isso leva tempo. Mas a nossa ideia é estar aqui por muito tempo e construir algo forte”
“[…] Sempre acreditamos que o trabalho bem feito fortalece a cena. O LoL é um desafio novo pra gente, mas estamos confiantes”, conta.
O head pontuou que a chegada no jogo da Riot Games também está alinhada diretamente com a filosofia da W7M de trabalhar em longo prazo, diferente de abordagens mais imediatistas, que acontecem muito no cenário. Porém, não é só no League of Legends que isso acontece, no FF (Free Fire) também.
Objetivo superado
Curiosamente, o objetivo inicial da w7m não era gerar lucro. O nascimento dos Bulls dentro dos esports, era na verdade um braço de algo maior.
“Quando a W7M Esports foi fundada, ela não tinha o objetivo de dar lucro. Para você entender, a W7M Investimentos é um grupo de cinco empresas, com a premissa maior de mídia programática e agência de publicidade. Então a ideia sempre foi usar a W7M como um bônus para os outros serviços. Não importava se ela não desse lucro, desde que ela fizesse as outras empresas darem lucro, estaria perfeito“, explicou.
O bom trabalho, entretanto, trouxe também bons frutos. Frutos que não eram previstos, mas eram muito bem-vindos.
“Foi a partir de 2022 que conseguimos nos tornar uma empresa que sim, dá lucro. Hoje a gente gera a nossa própria receita. Toda a receita que a gente tem na W7M hoje, nós viemos gerando para distribuir e ela gera lucro, inclusive, para o grupo. Hoje a W7M já consegue ajudar as outras empresas quando precisa. Ainda hoje o Felipe continua sempre buscando empresas novas e a W7M gera esse recurso para ajudar novas empresas do grupo a se desenvolverem“, seguiu Eudinho com o relato.
Olhando para a situação favorável atual da w7m como empresa e para o cenário brasileiro, Eudinho vê tudo com bons olhos e otimismo. constante.
“Creio que vamos seguir crescendo no mercado. Até porque, desde o ano passado, começamos a entender que só a boa performance não era suficiente. Hoje esse é um movimento natural do mercado, você tem que estar nas grandes ligas, nas grandes franquias, então esse é o nosso movimento hoje“, afirmou enquanto citava a volta ao R6 e entrada no LoL como exemplos.
Hoje a w7m busca cenários rentáveis, onde publishers dão bolsas com ajuda de custos ou até mesmo eventos que oferecem parcerias internacionais, como é o caso da EWC. No meio disso tudo, entretanto, existe uma grande exceção. E a w7m também está lá.
“O Counter-Strike é o único diferente, pois ele gera um posicionamento de mercado muito forte. Eu lembro que dois, três anos atrás eu estava falando com patrocinadores e a pergunta sempre era se estávamos no CS ou no LoL. Nada mais importa, eles queriam saber se estávamos inseridos no CS ou LoL. Então a gente sempre quis estar no CS por conta disso. No começo era paixão minha e do Felipe. Hoje o CS é mercado“, elucidou Eudinho.
“Hoje o CS não se paga 100%. Pra isso acontecer é muito difícil. Claro, já criamos algumas receitas com o CS, como a venda de jogador que é um mercado muito bom pra explorar. Mas ainda assim, nós não gostamos dessa premissa de que temos jogador com o objetivo de vender. A gente quer jogador para o cara performar aqui“, completou Eudinho antes de adicionar que para o CS se pagar, o ideal são as parcerias com casas de bet ou estar sempre no Major.

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A w7m chegou ao patamar das maiores do país?
Quando perguntado se hoje a w7m chegou ao patamar das maiores organizações do país, ao lado de FURIA, LOUD e companhia, Eudinho preferiu não cravar. Mas deixou a entender que a operação dos Bulls já é de gigante.
“Isso é muito relativo falar, mas a gente fatura muito bem hoje no mercado. Eu não tenho dúvida que a FURIA deve arrecadar mais que nós, já o MIBR arrecada um pouco mais ou similar. PaiN Gaming, LOUD e Fluxo, tanto quanto nós.”
Esse modelo de gigante, de acordo com Eudinho, se deve muito a dois pilares: o primeiro é a boa gestão de recursos feita internamente. Já o segundo é um diferencial crucial que a w7m tem e a maioria das demais organizações no Brasil não:
“A questão é que o nosso modelo de negócio consegue rodar um pouco melhor porque a gente tem muita ajuda das outras empresas [da w7m investimentos]. Por exemplo, enquanto as organizações precisam ter um setor comercial full dedicado para elas, eu já tenho empresa que faz publicidade. Produção audiovisual, eu também não preciso ter uma equipe dedicada a isso, pois eu tenho uma empresa de produção audiovisual. Tudo isso ajuda muito a igualar os números dessa galera.”
Futuro
Finalizando o papo, o head da w7m revelou quais são os planos que estão vigentes no presente e planejados para o futuro, dentro da organização. No momento, o objetivo número 1 não é entrar em novas modalidades e sim fortalecer o que já é de casa. O Counter-Strike, por exemplo, é visto como uma das prioridades.
Mais para frente, os Bulls devem começar a olhar para além das terras brasileiras.
“A gente pensa muito na internacionalização da marca. Pensamos inclusive em fazer um CT fora do país. Está sim nos nossos planos, mas por enquanto está guardado no oxigênio. Hoje não vemos isso como prioridade ainda, mas é algo que a gente enxerga como um movimento necessário para expandir algumas modalidades. A FURIA por exemplo, já faz isso muito bem. Já tiveram um time de APEX lá de fora, de fight Games, Rocket League já foram lá pra fora com line brasileira… Então esse é um movimento que talvez nos ajude também mais pra frente“, finalizou.
Veja também nossos vídeos. Neste batemos um papo exclusivo com Paluh, novo jogador de Rainbow Six da w7m: