entrevista

GET Rio: pvell, sobre popularização do CS: “Somos voltados para quem tem grana”

Fundador do MIBR, pvell falou com exclusividade a Game Arena sobre campeonatos no Rio de Janeiro e relação com organização atual

pvell

Foto: Game Arena.

O fundador do MIBR, Paulo ‘pvell’ Velloso, concedeu entrevista exclusiva a Game Arena durante a disputa da Global Esports Tour (GET) Rio 2024, em sua cidade natal. 

Em um papo bastante descontraído de aproximadamente 12 minutos, pvell começou relembrando alguns momentos quando fundou a organização que hoje disputou a final lower da competição.

O MIBR foi fundado aqui, e teve aquele célebre torneio que tinha o MIBR São Paulo, o MIBR Rio e o MIBR Brasília. E o MIBR São Paulo ganhou e virou o MIBR mais para frente, campeão mesmo. Mas aqui a gente fez um monte de torneio com times locais, agora chegando aqui na GET Rio, encontrei uma rapaziada, que era tudo garoto na época. Para reconhecer, foi um problema sério. Mas é o que eu digo, um negócio muito prazeroso, você participar disso do começo e ver que está chegando a um algo, que eu achei que ia chegar mais cedo, mas está chegando, o importante é isso.” – relembrou.

Depois, pvell falou sobre a sua relação com a tecnologia, afirmando que se formou na faculdade voltado para essa área e ficou fascinado quando viu o que a HLTV fazia ainda no CS 1.6.

Sempre fui ligado à tecnologia. Me formei em engenharia em uma época que não existia tecnologia da informação. Então, por acaso, eu tinha computador na engenharia, fiquei com três matérias de programação e fiquei naquilo. Virei um grande programador e fundei uma empresa de desenvolvimento de sistema, de programação. Quando meu filho foi lá para Dallas, me chamou para acompanhar e me apresentou a HLTV. Aí eu vi tecnologia, um negócio fantástico, todo mundo que nunca tinha visto um jogo de CS começou a acompanhar por lá.” – disse.

Relação com o MIBR atual

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Foto: divulgação/Dust 2 Brasil.

pvell foi o responsável pelo MIBR até o começo de 2019, quando vendeu a organização para a Immortals. De lá para cá, ele se tornou conselheiro da organização. Perguntado sobre isso, o fundador revelou o pouco da sua atuação junto a equipe atualmente.

Sou conselheiro do MIBR, é a coisa mais fácil de você fazer. Você dá conselho, fala que isso aí vai dar errado e sempre alguma coisa dá errado. Por exemplo, algumas decisões da direção do MIBR, fui contra. Mostrei e deu certo. Algumas fui a favor, deram errado. Mas o meu papel hoje é esse, aconselhar, mostrar o que existia antigamente, como a gente segue. As crises eram as mesmas. Talvez a torcida fosse menor. Mas a pressão era igual. A pressão que esses meninos sofrem, é muito grande.” – revelou.

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pvell ainda afirma que, atualmente, os jogadores de Counter-Strike sofrem pressão que se assemelham aos esportes convencionais, como futebol, basquete e até Fórmula 1, e comparou o CS com outros esports. 

É uma pressão que qualquer jogador de time de futebol de Série A, de jogador de basquete, sofre muito essa pressão. Um piloto de Fórmula 1, é um negócio de maluco mesmo. O mesmo acontece no CS, porque o CS, para mim, é intuitivo. Vejo um jogo de LOL e não entendo nada. Infelizmente, eu teria que aprender a jogar para acompanhar. Mas acredito que em qualquer torneio de esporte é semelhante. É uma pressão muito grande, necessário você evoluir muito para chegar a ser profissional mesmo. E cada vez mais o funil apertando e o pessoal correndo atrás.” – afirmou.

Popularização do Counter-Strike

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Perguntado sobre se envolveria mais afundo com CS novamente, pvell afirmou que tem um projeto para popularizar o Counter-Strike no Brasil e afirma que o governo do país é fator determinante nessa questão.

Quando falaram que teria um evento aqui no Rio e a prefeitura do Rio estaria apoiando, penso que pode ser um caminho que tente popularizar um pouco mais, que dê algum caminho para isso. Na minha época de moleque, era só futebol, tinha um montão de campo de pelada no aterro do Flamengo. Dali saíram muitos profissionais, alguns viraram craques, outros não, mas ali era uma base. A gente não tem isso em esporte eletrônico. Somos muito voltados para quem tem grana, quem tem equipamento de primeira linha, quem tem internet da pesada. Então, fico procurando achar um caminho para tentar popularizar um pouco mais isso.” – contou.

pvell ainda disse que é difícil do Brasil brigar com outros países europeus e asiáticos pela estrutura distinta que eles têm lá e aqui. Mas que, se popular o jogo conforme um esporte convencional, teremos condições de brigar de igual para igual com eles.

Imagina se eu chegar para 20 milhões de garotos, vou montar um time imbatível. Com o pouco que tem hoje, já coloca times aí brigando. É difícil você se comparar com o sueco, qualquer escandinavo, com qualquer russo, chinês. Eles têm uma infraestrutura melhor que nós. Se eu conseguir popularizar, vou brigar de frente com eles. O negócio é ser campeão. Isso aqui é gostoso. E quanto mais você tiver amostragem para tirar um time que realmente seja vencedor, mais você se diverte, você cresce e ainda ajuda um monte de gente. É legal. Minha intenção é tentar popularizar um pouco mais.” – revelou.

Finalizando o papo, pvell afirma que o projeto não foi para frente por falta de verba, parabeniza a Gamers Club por fazer parte do processo, mas afirma que precisa do governo brasileiro para evoluir, pois o jogo também é uma forma de educar. 

Tenho o projeto, mas não tenho a solução, poder investir dinheiro nele. Imagino em colocar grandes centros de treinamento. Na verdade, não é treinamento, ninguém quer treinar, quer competir. Mesmo que você faça uma competição na sua escola, na sua rua, no seu bairro. Minha ideia sempre foi essa. A Gamers Club tem mais ou menos esse papel, mas ela é paga. Ela não resolve o principal, que é capitar a molecada que não tem dinheiro para comprar o material. Quando se fala em governo, pode ser uma saída. É educação, não deixa de ser. Toda escola tem educação física, joga basquete, futebol. Por que não o CS?” – concluiu. 


Confira nossos vídeos. Neste aqui conversamos com FalleN, durante o GET Rio, que falou sobre as mudanças da FURIA, novas peças no time e mais:

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